Infinity Blade II

Epic Games e Chair Entertainment . 2011

 

POR Pedro Falcão publicado em 19.01.2012

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O sucesso do primeiro Infinity Blade, jogo para iOS (leia-se iPhone, iPod e iPad) lançado no final de 2010, deveu-se principalmente à demonstração de seus gráficos impressionantes em uma plataforma móvel. Pode se dizer que o game foi responsável por finalmente figurar a Apple como uma desafiante à altura de outros fortes concorrentes do mundo dos games móveis, como os veteranos Sony e Nintendo.

ATENÇÃO: O TEXTO ABAIXO CONTÉM DETALHES SOBRE A TRAMA DO JOGO [SPOILERS]. SIGA POR SUA CONTA E RISCO



Méritos de marketing à parte, o primeiro jogo apresentou dentro de sua narrativa metalinguística uma comparação rica entre o processo de desenvolvimento de um personagem de RPG (mata o inimigo, sobe de nível, coleta o tesouro, encontra outro inimigo etc.) com o processo de edificação da própria vida. Mas se o primeiro Infinity Blade era sobre a celebração da vida—repetidas vezes—Infinity Blade II celebra a morte e sua jornada até lá. O guerreiro-sem-nome sabe do seu próprio destino logo no início do jogo, e diversas vezes vai lembrar que está lá para morrer.



Assim como a passagem da adolescência para a vida adulta, Infinity Blade II dá mais responsabilidades para o jogador, mas também o agracia com mais recompensas: você deverá enfrentar inimigos mais complexos, mas poderá abrir mais baús de tesouros que antes; deve enfrentar também três chefes para atingir seu objetivo final, mas agora você conta com três tipos de armas para derrotá-los. Entre as passadas rápidas de dedo na tela que imitam o movimento da espada (ou das espadas, já que agora é possível jogar com duas simultaneamente) ora para atacar, ora para se defender, você aprende que dessa vez precisar percorrer os caminhos do castelo em uma certa ordem para chegar ao objetivo final: libertar da prisão perpétua o criador da espada sagrada que dá nome ao jogo. Para isso deverá morrer, pelo menos, quatro vezes, enfrentando três chefes diferentes antes de desafiar o vilão principal da narrativa.



Após horas de jogo, percebi que mesmo depois de derrotar o arqui-inimigo do guerreiro, continuava preso ao ciclo de morte seguido de renascença do game. Comecei então a me perguntar se o objetivo de Siris, o guerreiro descendente de Ausar, do primeiro jogo, não seria na verdade liberar o próprio jogador desse ciclo infinito. Será que me enganei e no centro de toda a trama estaria eu, o jogador?



“Me diga, Siris: por que você entrou em minha prisão?”, me pergunta um dos muitos personagens que mato diversas vezes. Siris responde que está lá para finalmente libertá-lo da prisão perpétua, reservada aos imortais. Mas eu também sou imortal: luto, mato, cometo erros, apenas para renascer e cometê-los novamente. Sinto cada vez mais que o game em si é uma prisão, um cárcere feito para prender ninguém menos do que o próprio jogador. “Não importa quantas vezes você renasça”, me diz outro personagem.

Mas essa cadeia foi feita para o jogador se manter entretido pelo maior tempo possível. E durante esse tempo todo, é na repetição dos sacrifícios de Siris que está o foco do jogo. Sempre imaginei como seria viver o pesadelo eterno de nascer e morrer infinitas vezes, sempre carregando o passado consigo. Infinity Blade II não só está pintando esse cenário na minha frente, mas mostra que sou peça fundamental no ciclo desse sonho. Assim como meu guerreiro, o sofrimento também é imortal.



A princípio, o objetivo final que Infinity Blade apresenta é similar a de tantos outros games: derrote o chefão, salve o mundo. O gigantesco cenário impecável que serve de pano de fundo para uma narrativa tão épica também funciona como uma distração eficaz, tirando da minha cabeça a possibilidade de que posso passar uma eternidade jogando e nunca chegar no final do game. O objetivo final, sem distrações, seria: pare de jogar, salve a si mesmo. Mas é impossível largar Infinity Balde II. “Já lhe matei centenas de vezes. Mas agora, finalmente, você morrerá!” diz God King, o grande vilão do game. Você estaria me fazendo um favor: essa é a única maneira que me faria voltar ao mundo real.

tags:
 infinity blade II, iOS, iPhone, iPad

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