Freak Puke

Melvins

Ipecac, 2012

 

POR Raquel Setz publicado em 26.06.2012

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O mundo do rock é cheio de histórias tristes de bandas veteranas que se tornaram covers de si mesmas ou que tentaram enveredar por um caminho diferente e se deram mal. A verdade é que são poucos os grupos com muitos anos de estrada que conseguem encontrar o equilíbrio entre identidade e inovação. The Melvins é um desses raros exemplos. Formado em Seattle na década de 80, o grupo encabeçado pelo guitarrista e vocalista Buzz Osborne ficou conhecido por fazer um som pesado e arrastado que recebeu a alcunha de sludge metal e influenciou desde Nirvana até Sunn O))).

Embora não seja figurinha do circuito avant-garde, o Melvins sempre teve um pé na experimentação, que geralmente se configura como momentos de ruído dentro da estrutura convencional de canção de rock, mas também pode assumir o papel principal, como é o caso do esquisitíssimo álbum ao vivo Colossus of Destiny, de 1998.  Recentemente, a piração se voltou para a própria formação da banda - que, aliás, nunca se manteve muito estável. Desde 2006, o grupo adotou uma espécie de bateria-siamesa tocada por Dale Crover (que está no Melvins desde os primórdios) e Coady Willis (emprestado do Big Business) – caso você tenha passado os últimos anos em coma e não saiba direito do que se trata, confira esse vídeo.

Para o disco Freak Puke, lançado em junho de 2012, a bateria-siamesa foi deixada de lado e o baixo elétrico de Jarred Warren (também na banda desde 2006) foi substituído pelo baixo acústico de Trevor Dunn, com quem Buzz já havia tocado no supergrupo Fantômas. Confesso que quando fiquei sabendo que não haveria dois bateristas e que o grupo seria rebatizado de Melvins Lite para a nova empreitada, fiquei com medo que a hora da derrapada tivesse chegado. Mas desde os primeiros segundos de "Mr. Rip Off", faixa que abre o Freak Puke, já fica bem claro que King Buzzo não resolveu colocar um baixo acústico na jogada para fazer soft jazz.

O fato é que o som do baixo acústico, especialmente quando tocado com arco, possui características que casam perfeitamente com o universo musical do Melvins: o timbre gordo, o ataque intenso proporcionado pela fricção do arco e os ruídos (que não precisam de distorção ou outros efeitos para ser produzidos). O instrumento está em primeiro plano em "Inner Ear Rupture" e em vários pequenos momentos espalhados por faixas como "Growing Disgust" ou "Baby, Won’t You Weird Me Out". Talvez não seja exagero dizer que Freak Puke é um disco dedicado ao baixo acústico, ou melhor, às possibilidades do instrumento dentro do universo estético do Melvins. No entanto, foi uma exploração ainda tímida. Caso o álbum seja apenas o início de uma série, foi um belo começo. Caso tenha sido um artigo único, a banda poderia ter ido um pouco mais fundo.

Isso leva a uma situação bem estranha, já que toda a discografia pregressa da banda não é suficiente para bater o martelo sobre Freak Puke (na verdade, isso acontece com muitas obras, que só ganham o devido significado quando analisadas em conjunto com obras posteriores do mesmo artista). Por enquanto, dá apenas para dizer que se trata de um disco ótimo que pode dar origem a discos melhores ainda. Tomara que King Buzzo e cia. mantenham Trevor Dunn por perto.

tags:
 melvins, trevor dunn

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