“Da Estação São Bento ao Metrô Santa Cruz” . Rappin Hood part. Emicida

Dupla une gerações do rap em torno da história do hip hop brasileiro

POR Amauri Stamboroski Jr. publicado em 25.06.2012

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São quase seis quilômetros e meio de selva de pedra que separam as estações São Bento e Santa Cruz, ambas localizadas na linha azul do metrô de São Paulo. Mas para o rap nacional, a distância entre as rodas de b-boys do largo de São Bento e a Batalha do Santa Cruz pode ser medida, sem tanta precisão, nos anos que separam os pioneiros dos anos 80 à “nova geração” dos 00.

Aproximar tantas distâncias é um trabalho que não pode ser feito sozinho, e para essa missão o patrão da Vila Arapuá Rappin Hood convocou o maestro do Cachoeira Emicida, para juntar “os moleque e os tiozinho” em “Da Estação São Bento ao Metrô Santa Cruz”.

A track, que deve entrar no próximo álbum do Mr. Hood, Sujeito Homem 3, conta com um beat balançante do saudoso DJ Primo, e abre com Juju Denden lembrando do grande festival comemorando os 300 anos de Zumbi em SP, realizado em novembro de 95 no Anahngabaú com mais de 50 mil pessoas na plateia (e com a sempre solícita polícia militar, como sempre, grampeando levianamente alguns rappers).



Nas rimas, Emicida abre lembrando os tempos que rachava um dog no terminal com a magra grana que arrecadava nas batalhas do começo da carreira – “a rua é nóis há mais de 20 anos, procura saber”, avisa –, pede benção às diferentes gerações, de Nelson Triunfo ao Pentágono, e se despede lembrando do “Duelo dos MCs, Liga dos MCs, Rinha dos MCs e Santa Cruz”.

Hood, por sua vez, leva o ouvinte prum rolê tão velha guarda que é bem possível que os fãs mais dente-de-leite do Emicida nunca tenham ouvido falar dos picos citados: casas como Neon, ASA de Pinheiros, Club House, Viola de Ouro, equipes de baile como Chic Show, Kaskatas e Zimbabwe, filmes como Breakdance e Beat Street.

Atentem – não há nem no som nem neste texto a ideia de ressentimento entre gerações. Num ano em que o hip hop tem ultrapassado tantas fronteiras e se tornado novamente a trilha sonora da juventude brasileira, o resgate dessa história ajuda a criar contexto para quem chega agora, colocando o “novo rap” num contínuo histórico orgulhoso de seu próprio passado.

Esses movimentos de se resgatar, ainda que lentamente, a história nem sempre linear do hip hop no Brasil (que depende muito ainda do registro oral) podem ser sentidos recentemente em diferentes pontos, dos medleys do Emicida ao livro Hip Hop Cultura de Rua, passando pela nossa lista de 25 sons para entender o rap nacional. Ao juntar, para contar essa mesma história, quem já foi, que tá aí faz tempo e que “acabou” de chegar, “Da Estação São Bento ao Metrô Santa Cruz” é um exemplo mais que completo de que passado e futuro não só podem como devem andar de mãos dadas.

tags:
 emicida, rapin hood

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